quarta-feira, 24 de novembro de 2010

estradinha.

Que adianta a vida, se virá a morte roubá-la?
De que serve o grande Sol, se é a Lua seu destino?
Que importam os amores, se não são, de fato, eternos?
E se vamos ser adultos, de que serve ser menino?

Por que tanto demorar, se sabemos o final?
Que a flor vira um fruto e o casulo, borboleta
Se a chuva vira rio e o rio vira mar,
por que então esperar a areia da ampulheta?

Por que não correr o tempo?
O motivo, meu amigo
Eu lhe explico, com carinho

É que numa caminhada
Não há nada mais bonito
que curtir bem o caminho



(Nana, 2009, que, como poeta, é uma ótima bióloga)

voltando.

Já tentei algumas vezes voltar a escrever no blog. Mas sempre me faltava tempo.
Como se isso fosse qualquer outra coisa, que não uma desculpa. O tempo sempre surge, quando a gente quer.
É preciso escrever, para que o belo não se perca. Para que o feio doa menos. Para não ter vivido em vão.
A vida da gente tem a beleza que a gente dá pra ela.
Quero encher a vida minha de páginas bonitas.

é preciso recuperar

Quando foi mesmo que sumiu
a poesia da minha vida?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Teresinha (Chico)

Descobri hoje de manhã que a música Teresinha, da Ópera do Malandro, de Chico Buarque, conta minha história de amor. Achei que tinha a ver com este blog, por isso resolvi reativá-lo. Fiquei toda arrepiada quando vi que a música descreve muito bem os três namorados que tive, inclusive na ordem correta (um por estrofe) e termina com o meu, hoje, final feliz com o Ro :)
Chico Buarque, eu te odeio. Como você consegue ser, assim, tão perfeito?


O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não

O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração

domingo, 15 de março de 2009

There is pleasure in the pathless woods,
There is a rapture on the lonely shore,
There is society, where none intrudes,
By the deep sea, and music in its roar:
I love not man the less, but Nature more,

(Lord Byron)

segunda-feira, 9 de março de 2009

revolta

Posso viver com paixão e poesia, com sentimentos à flor da pele e um choro louco, com beleza e profundidade.
E sem álcool e cigarros.
Não vou seguir o estereótipo da feminista porra-louca. Não vou estragar o meu corpo com o que me faz mal. Já me basta o mal que me fazem, não o farei comigo mesma.

Não bebo, não fumo, não uso drogas.
Esta é minha rebeldia.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

.chuva

Dia desses, chorava no vidro do ônibus leve chuva. E eu, que de dentro, por dentro escorria, quis derramar como a gotinha que acompanhei com os olhos. Ser levada pelo vento, evaporar na calçada, pra depois chover num longo rio que me levaria ao mar. E o mar, que era, senão todas as lágrimas reunidas? Salgado como elas eram.
E, como meu pranto,
imenso.


Não sei há quanto tempo não consigo escrever sobre mim.
Acho que foi desde que eu percebi que não sou tão excepcional.